Ikaruga (Dreamcast/Game Cube/Xbox Live Arcade)


Ai, ai… Às vezes eu tenho saudades do meu Dreamcast. Ele tá aqui, intacto, mas inutilizado de certa forma, pois não possuo um Memory Card para o mesmo (e por isso nunca pude terminar Max Steel ou TimeStalkers ou realizar qualquer coisa nele) e ele tem uns dez anos de idade (o comprei no fim de 2001), o aproveitei bastante na época, e recentemente reaproveitei ele quando consegui diversos jogos para ele. Ainda tenho trauma dos loadings intermináveis de Half-Life Gold.

Outro dia, revirando meus discos aqui na estante (coisa que tenho que fazer repetidamente pra achar alguma coisa aqui) achei uma preciosidade e resolvi colocá-lo pra rodar novamente no meu véio de guerra.

Fugindo (um pouco) do assunto, a produtora Treasure sempre foi sinônimo de qualidade. Formada por ex-funcionários da Konami que trabalharam em Axelay (um impressionante Shooter) (ou foi em Gradius III?), as parcerias dela sempre trouxeram bons jogos por onde ela passou, desde o Mega Drive, com Gunstar Heroes e Yu Yu Hakusho: Sunset Fighters, no N64 com Bakuretsu Bangai-O (que foi portado posteriormente para o Dreamcast e lançado fora do Japão e Sin & Punishment (que recentemente ganhou uma sequência para o Wii), o Sega Saturn ganhou o excelente Shooter Radiant Silvergun, no Playstation 2 tivemos o quinto episódio de Gradius, o Game Boy Advance recebeu a sequência (com cara de Remake) de Gunstar Heroes, o Nintendo DS tem os dois primeiros Bleach e uma nova versão de Bangai-O. E sim, todos os jogos que aqui citei, são considerados acima da média pela imprensa e pelos jogadores.

Sim, eu deixei UM jogo de fora, porque ele é exatamente o que será analisado hoje. A Placa de Arcade SEGA Naomi foi na década passada, o que a Taito Type X e X² é hoje para as produtoras de Shooters: Uma excelente plataforma para seus games, pois era fácil de se trabalhar, e no caso da Naomi, o custo-benefício era maior ainda, pois ela compartilhava o hardware com o Dreamcast e os portes para o console não saíam muito custosos e nem difíceis (aliás, isso era incentivado pela SEGA), tanto que OFICIALMENTE saíram jogos para Dreamcast até 2007 (embora depois disso algumas produtoras independentes lançaram alguns shooters não-licenciados para ele).

Meu parágrafo anterior, foi só para enfatizar a flexibilidade da Naomi, e entre os diversos shooters da plataforma, um da Treasure se caracterizava pela qualidade e assim como diversos shooters, migrou para o Dreamcast, e entre os jogadores ganhou status de “cult”, por sua dificuldade e peculiaridade, é claro que estou falando de Ikaruga, jogo que será analisado hoje.
Ikaruga
Produtora: Treasure
Plataformas: Dreamcast, GameCube e Xbox Live Arcade
Gênero: Shoot’em up Vertical
O enredo de Ikaruga é bem Japonês. Alguns anos atrás na pequena ilha-nação de Horai, a lider da nação, Tenro Horai discobriu o Poder dos deuses (Ubusunagami Okinokai). Essa energia emanava de um objeto que ela desenterrou do subterrâneo profundo e a garantiu poderes inimaginaveis. Logo depois, Tenro e seus seguidores, que se chamavam de “Os Divinos” começaram a conquistar as nações, uma após a outra. “Os Escolhidos” levavam essas conquistas “em nome da paz”.
Enquanto isso, uma federação livre chamada Tenkaku surgiu para desafiar Horai. Usando aviões de combate chamados Hitekkai, eles lutaram com a esperança de libertar o mundo das garras de Horai… E falharam miseravelmente nisso. Eles não foram páreo para Horai e foram praticamente dizimados. Milagrosamente, apenas um jovem sobreviveu, seu nome era Shinra.
Abatido próximo de um vilarejo chamado Ikaruga, habitado pelas pessoas velhas que foram exiladas pelas conquistas de Horai, Shinra foi retirado dos escombros e levado para a se curar. Assim que Shinra se recuperou e planejou partir para derrotar Horai, os aldeões confiaram a ele um caça de combate que eles mesmos construiram, chamado Ikaruga.
O Ikaruga não é um avião de combate comum, ele foi feito pelo ex engenheiro genio Amarai, com a ajuda de Kazamori e os lideres do vilarejo. Escondido num bunker secreto subterrâneo e lançado com o dispositivo de transporte chamado “Espada de Acala” é o primeiro caça construído que integra ambas as polaridades de energia e é capaz de intercambiar entre as duas com sucesso.
Mas Shinra não está sozinho nessa luta, ele tem a ajuda de Kagari, uma mercenária de Horai que foi derrotada por Shinra. Após Shinra poupar a vida dela, ela decide mudar de lado e se juntar a resistência. O caça dela, Ginkei foi modificado pelo pessoal de Ikaruga, dando a ele capacidades iguais as do caça de Shinra.
Ikaruga é em sua base um shoot’em up (conhecido pela alcunha de ‘jogo de navinha’) de progressão vertical, mas possui particularidades que o diferenciam de muitos jogos do mesmo gênero. O jogo tem elementos que o caracterizam como um maniac shooter, aqueles jogos com um milhão de projéteis na tela ao mesmo tempo e que eu adoro, mas não tenho tempo livre para debulhá-los como deveria (diabos, nunca joguei o primeiro GigaWing, nem DonDonPachi (apenas DonPachi, JOGUEM ESTE JOGO!) ), mas por incrível que pareça, não é essa a característica que vem a mente quando os jogadores citam o jogo.
Antes de explicar os botões em si, explicarei que basicamente há inimigos de duas cores, brancos e pretos (assim como a cor de seus projéteis) que é uma das bases do jogo, pois a pontuação do jogador é influenciada pelas cadeias de combos realizadas ao matar inimigos de determinada cor (3 inimigos = 1ª parte do combo).
O jogo utiliza três botões, um dispara os projéteis, padrão de todo o jogo desde Space Invaders em 1900 e guaraná bolinha, o segundo botão muda a cor da nave, e deixe-me explicar essa coisa de cor: a nave pode intercalar entre as cores branca e preta (assim como a cor de seus projéteis), e a cor lhe dá imunidade contra os projéteis daquela mesma, o que acaba colocando elementos de estratégia no jogo. Alguns pontos dos mestres também só são atingidos por disparos de determinada cor. O terceiro botão, mostra que a cor não apenas dá imunidade ao disparo daquele projétil, mas ele também o absorve e enche uma barra que permite (usando o tal terceiro botão) atirar um Laser destruidor, que depende do tamanho da barra para ter potência.
O jogo, como eu havia dito, tem um toque de estratégia, e adicione isso a quantidade abissal de tiros ao mesmo tempo na tela em alguns momentos e você terá uma dificuldade bastante severa. Mas, ela não é injusta. A base de um shmup em geral é decorar os padrões inimigos e você deve ter paciência e acima de tudo perseverar. Mas tenha em mente que Ikaruga É MUITO DIFÍCIL, eu mesmo nunca passei do terceiro chefão do jogo jogando na dificuldade MAIS FÁCIL. E, se eu sobrevivi a um estágio de Mushihime-sama na dificuldade Maniac, olha, isso quer dizer muito.
Apesar da progressão do jogo ser bidimensional, os gráficos de Ikaruga são num 3D estupendo, a nave é bem modelada, os chefões são enormes e surpreendem pela movimentação bacana. Os inimigos, apesar de serem no estilo genérico, são bem feitos e se movem num padrão que dão uma certa beleza mortífera pra quem joga. Os cenários tem elementos tanto de tela quanto de fundo bem feitos, às vezes você fica olhando pro fundo da tela antes de surgir a primeira leva de inimigos.
Sonoramente é bacana, embora não se destaque grandiosamente, tem uma boa trilha, que casa com os momentos do jogo, e os efeitos sonoros estão bons.
Ikaruga é o tipo de jogo que se você jogar, irá comentar depois de jogar, tanto devido a sua dificuldade abissal, quanto as suas características que tornam o jogo único mesmo após tantos anos. E se você for o tipo de jogador que não desiste até chegar ao fim do jogo, com certeza ficará grudado na tela, xingando a cada dez segundos (17,5 segundos se você for bom) a mãe de cada um dos programadores (uns 3 sujeitos que tiveram ajuda de pessoas de uma outra empresa de shmups, a G-Rev), mas apreciará realmente a experiência.
A história do jogo não pode ser lá a coisa mais criativa do mundo, mas é aquele jogo que apesar de alguns desinformados dizerem que é o mais difícil do mundo (nunca jogaram Mushihime-sama ou Giga Wing Generations) tem seu charme, e tem multiplayer, então você pode chamar aquele seu amigo e rir do sofrimento dele antes de dizer qual é o botão pra mudar a cor da nave. Ou você pode chamar seu amigo imaginário e fazer um double-play. (procure no Youtube por “Ikaruga Double-Play” e surpreenda-se). E não, não dá pra fazer double-play em Ikaruga nos consoles. Até aonde eu vi, Double-Play em Consoles só a partir de Raiden III de PS2, mas isso… É outra história…
Curiosidade: A versão de Gamecube veio para o ocidente pela Atari, e nela, por pura preguiça, ao invés de traduzirem os poeminhas (que aparecem entre os estágios) e o texto contando o final do jogo, simplesmente TIRARAM ELE do jogo. A versão da Live Arcade corrige isso.
Finalizando, se você tiver a chance de jogar Ikaruga, faça-o! Eu revivi o meu Dreamcast por uma gloriosa hora para jogar este clássico, mas se você tiver um Game Cube (pfffft!) ou uma conta na Xbox Live, faça um esforcinho para jogar Ikaruga. Essencial para fãs de shmup’s!

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2 Comentários

  1. Cyber Woo

     /  2012/04/06

    Cara, sou péssimo em shooters mas posso dizer que não deixo de gostar! hahahah!

    Lembro que quando tinha um Dreamcast eu raramente conseguia comprar games em minha cidade e os que conseguia ou funcionava ou nem rolava! ¬¬

    Ikaruga foi um dos que nunca conseguir jogar no meu DC!! fazer o que!

    Otima analise!😀

    Responder
  2. esse ikaruga é um pesadelo dos shooters, tenho traumas desse aí

    Responder

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